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Diocese de Santo Ângelo acolhe a 48ª Romaria da Terra do RS

Um dia para ficar na história. Dentro da programação das comemorações dos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, a Diocese de Santo Ângelo acolheu, no dia 17 de fevereiro de 2026, terça-feira de Carnaval, a 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul.

Com o tema “400 anos de Evangelização Missioneira: Terra Sem Males e Ecologia Integral” e o lema “Eu vi um novo Céu e uma nova Terra” (Ap 21,1), a Romaria deste ano propôs uma profunda reflexão sobre a Ecologia Integral e o respeito aos povos originários.

A celebração aconteceu no Santuário Diocesano do Caaró, no município de Caibaté — terra sagrada marcada pelo testemunho dos mártires. A escolha do local é simbólica: Caaró foi uma das primeiras reduções fundadas pelos jesuítas no primeiro ciclo das missões, em 1626. A Romaria integra o grande jubileu diocesano pelos 400 anos do início da evangelização do estado, com a chegada dos missionários em 3 de maio daquele ano. Estima-se que mais de 5 mil pessoas estiveram presentes.


Caminhada, fé e compromisso com a vida

A programação iniciou logo cedo com a acolhida dos romeiros e café da manhã comunitário. Às 8h30 ocorreu a abertura oficial junto ao pórtico do Santuário, com falas do Pe. Anderson Rabello Costa, SJ (reitor do Santuário), do prefeito Daniel Seffrin Herther e do bispo diocesano, Dom Liro Vendelino Meurer.

Em seguida, os participantes realizaram a caminhada pelo bosque do Santuário, marcada por três cenários temáticos:

  • Primeiro cenário: povos indígenas partilharam sua cultura e clamaram pela garantia de seus direitos.

  • Segundo cenário: representantes das Comunidades Eclesiais de Base das dioceses de Uruguaiana e Bagé recordaram a história das reduções Jesuítico-Guarani.

  • Terceiro cenário: reflexão sobre Ecologia Integral, em sintonia com o Ano Jubilar Franciscano pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis.

A manhã foi concluída com a Santa Missa no altar do bosque, presidida por Dom Liro e concelebrada pelos demais bispos e sacerdotes presentes. Na homilia, o bispo destacou a vida comunitária como um dos grandes legados das reduções missioneiras — verdadeiro modelo de sociedade sem desigualdade nem pobreza — e reforçou:

“O ser humano precisa viver em equilíbrio com a natureza e com os irmãos, superar o pensamento meramente exploratório e viver de forma consciente, sem gerar a destruição dos recursos naturais.”


Tarde cultural e gestos concretos

Durante a tarde aconteceram manifestações populares e apresentações artísticas, além da leitura da Carta da 48ª Romaria da Terra.

Um momento especialmente significativo foi a homenagem a Frei Sérgio Göerge, com o plantio de uma árvore no Santuário. Frei Sérgio foi grande entusiasta da Romaria, apoiador dos movimentos sociais e símbolo de resistência na luta pelos direitos dos mais vulneráveis e pela reforma agrária.

A programação encerrou com a bênção de envio, quando foram distribuídas mais de duas mil mudas de espécies nativas como recordação da Romaria — sinal concreto de compromisso com a criação.


Próxima edição já definida

Ao final da celebração foi anunciado que a 49ª Romaria da Terra acontecerá na Diocese de Osório. Como gesto simbólico, lideranças da diocese receberam a cruz da Romaria da Terra e o Círio que acompanha essas peregrinações.

Carta da 48ª Romaria da Terra:


Confira algumas fotos da Romaria:



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