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Representantes de arqui/dioceses gaúchas participam de encontro de ecônomos da CNBB, em Brasília

Entre a terça e a quinta-feira, 19 a 21 de maio, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou o Encontro de Ecônomos na Casa Dom Luciano, em Brasília. Com o tema “Gestão Eclesial em tempos de mudanças: desafios econômicos, pastorais e éticos”, o evento reuniu ecônomos, bispos, padres, religiosos e leigos de diversas dioceses do país para um tempo de formação, partilha de experiências e aprofundamento sobre a administração dos bens da Igreja. 

A mesa de abertura contou com a presença do primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, e do padre Felipe Lima, ecônomo da CNBB. Já a primeira conferência do encontro foi conduzida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, que abordou o tema da gestão eclesial em tempos de secularização e mudança cultural.

Pela Diocese de Santo Ângelo esteve participando o Pe. Léo Zeno Konzen, Ecônomo da diocese.

 

Governança, integridade e reforma tributária

O padre Felipe Lima ressaltou que o contexto atual, marcado por rápidas transformações sociais, econômicas e jurídicas, exige atualização constante dos gestores eclesiais. Entre os desafios apontados, mencionou a reforma tributária em curso no Brasil, que demandará atenção especial por parte das dioceses quanto aos impactos sobre as instituições religiosas. Padre Felipe também enfatizou a necessidade de fortalecer uma cultura de governança e integridade, com práticas como compliance, auditoria, prestação de contas, planejamento estratégico e gestão de riscos. “A transparência não enfraquece a Igreja; ao contrário, fortalece sua credibilidade. A boa gestão cria as condições necessárias para que a evangelização aconteça com continuidade e confiança”, destacou.

A primeira conferência do encontro foi conduzida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, que abordou o tema da gestão eclesial em tempos de secularização e mudança cultural. Em sua exposição, o representante da Santa Sé refletiu sobre os impactos da secularização e das profundas mudanças culturais sobre a vida da Igreja e sua sustentabilidade econômica. Segundo ele, o cenário atual exige novos instrumentos e uma mentalidade capaz de unir competência técnica e sabedoria evangélica. 

Dom Giambattista destacou que o crescimento das denominações evangélicas, a mudança no perfil dos fiéis e a redução da participação sacramental trazem consequências concretas para a administração das dioceses, como diminuição das ofertas ordinárias e maior exigência de transparência. O Núncio recordou ainda que a administração dos recursos de uma diocese deve ser uma ação colegial, sustentada por organismos funcionais e pela corresponsabilidade efetiva entre bispo, ecônomo e conselho para assuntos econômicos. “Governar os recursos de uma diocese não é uma tarefa solitária nem prerrogativa exclusiva do ecônomo. É uma ação colegial que requer organismos funcionais, plurais e corresponsabilidade efetiva”, afirmou. 

Outro ponto destacado foi a necessidade de superar o modelo de paróquias economicamente isoladas em favor de uma gestão integrada em nível diocesano, capaz de promover maior eficiência, solidariedade e comunhão entre as comunidades.  Para dom Giambattista, o ecônomo é chamado a ser “construtor de comunhão”, exercendo um serviço essencial para a missão evangelizadora da Igreja. 

Ele reconheceu que essa transição pode gerar resistências, sobretudo entre paróquias que temem perder autonomia ou ver seus recursos destinados a outras comunidades. Por isso, ressaltou que a implantação deve ocorrer de maneira gradual, dialogada e respeitosa, deixando claro que a gestão integrada não significa expropriação, mas racionalização e partilha solidária em benefício de toda a diocese. 

O representante da Santa Sé enfatizou também a dimensão comunitária da administração dos bens eclesiais. Recordou que os administradores devem prestar contas aos fiéis, que não são meros destinatários das decisões econômicas, mas participantes ativos cuja confiança deve ser continuamente cultivada. Nesse contexto, o ecônomo diocesano aparece como figura-chave, chamado a unir competência técnica, sensibilidade pastoral e espírito de comunhão. 

O Núncio observou que, em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades como o Brasil, é essencial fortalecer mecanismos de solidariedade entre dioceses, como fundos comuns e instrumentos de equalização financeira coordenados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para garantir que nenhuma Igreja particular fique privada dos recursos necessários para cumprir sua missão. 


Fonte: com informações da CNBB Sul 3

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