Eis uma importante descoberta vivida pelo povo da Bíblia. Sua caminhada da escravidão para a vida com dignidade lhe proporcionou intensos aprendizados. Sentiu a presença permanente de Deus em sua vida, nas mais distintas situações: na dor e sofrimento, como amparo e sustento; na alegria e esperança, como força mobilizadora dos propósitos de paz. Aceitou a proposta de Aliança a lhe assegurar comprometimento com a busca permanente da justiça nas relações sociais. Acolheu a Palavra de Deus como orientação decisiva do caminho a seguir.

Uma experiência fundamental nessa trajetória histórica: a de permanente retomada da origem fundadora do povo. Em outras palavras, uma ‘volta às fontes’. É como não perder ‘suas raízes’. É lembrar o chão donde surgiu essa tradição. A memória viva desse caminho constitui-se garantia de foco no rumo a firmar e confirmar de modo sempre continuado.

Tendo presente estas questões, eis, a seguir, breves considerações sobre certos aspectos do texto bíblico: Dt 30,11-20.


Palavra acessível

“Este mandamento que hoje te prescrevo não é difícil para ti nem está fora do teu alcance” (Dt 30,11). Este jeito de falar soa como motivação e, ao mesmo tempo, como um convite intenso a viver a atenção à Palavra de Deus. Pois Ela toca as realidades da vida; fala das questões do dia a dia. Portanto, diz de dimensões que estão presentes às pessoas, não está fora de seu alcance. E, para dar ênfase a esse aspecto, o texto usa modos de falar, com imagens, para mostrar que a Palavra não está longe. Afirma: “não está no céu”; nem “do outro lado do mar”. Assim, ninguém poderia se desculpar dizendo, quem a buscará para que esteja ao alcance.

E, a seguir, o texto bíblico afirma de modo bem claro: “esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir” (Dt 30,14). Indica a proximidade, a familiaridade da Palavra de Deus com a vida e as realidades das pessoas. É palavra que é proclamada, anunciada, transmitida ao longo da história. “Está em tua boca”. É um jeito a mostrar que Ela é viva, atual. E, ao mesmo tempo, Ela afeta, toca as realidades mais profundas da vida humana. Mexe a fundo na intimidade da pessoa. A palavra está “em teu coração”, diz o texto. E aponta outro ponto decisivo: “para que a possas cumprir”. É palavra a ser praticada, tornada vida em gestos, atitudes e ações em favor da dignidade das pessoas.


Opção sábia

A preservação da vida ou a presença da morte; a felicidade ou a desgraça resultam de escolhas, dependem de opções que as pessoas fazem, que o povo decide. O texto bíblico fala de uma opção decisiva entre o Deus da Aliança, que ama seu povo, lhe assegura vida e liberdade, ou a atenção aos ‘ídolos’, que escravizam. Essa opção precisa ser feita. E o texto o lembra: “vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça” (Dt 30,15). Ele aponta as condições: a atenção aos preceitos de Deus, o amor a Ele devido, a permanência no caminho por Ele sinalizado asseguram ao povo a “bênção de Deus” e a “entrada na terra prometida”. A não observância desses propósitos, o desviar-se desse caminho e a “atenção aos ídolos” atraem os fracassos, a morte.

Por isso, o texto propõe uma opção sábia. Afirma: “cito hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes” (Dt 30,19). Deus não impõe; Ele propõe um caminho; oferece seu projeto de vida. Espera que o povo decida de modo sensato. Por isso, Ele exorta: ‘escolhe a vida’. Eis sinalizada uma proposta sábia.


Autor: Pe. Carlos José Griebeler - Pároco de Santo Cristo

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