Conhecida tradição. Aguardada meditação. Animada jornada. Vibrante dedicação. O mês da Bíblia, a cada ano, motiva iniciativas, desperta criatividades, encanta corações, renova as pessoas, fortalece a vida comunitária. Desde 1971, há quase cinquenta anos, está sendo um cativante envolvimento catequético nas comunidades de Igreja no Brasil. Ajuda a redescobrir a força desse precioso tesouro, faz crescer a familiaridade com textos bíblicos, confirmando a fé e vivência bíblica.

No ano 2020, o mês da Bíblia tem como tema: livro do Deuteronômio. Para motivar sua leitura e meditação, o lema: “abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11). Tem como propósito familiarizar mais intensamente as pessoas e comunidades com o projeto de Deus que faz Aliança com o povo fragilizado em sua caminhada. De modo que, crescendo na fidelidade à Aliança a comunidade de fé possa, cada vez mais, “revelar o amor de Deus”.

O livro do Deuteronômio faz parte do bloco bíblico Pentateuco (a Torá ou Lei Sagrada). Este nome, de origem grega, significa “segunda” (deutero) “lei” (nomos). “Trata-se da segunda apresentação da Lei de Deus ao povo, feita por Moisés no fim dos quarenta anos no deserto”. Ou seja, é uma espécie de atualização ou releitura desse caminho proposto (Lei) por Deus ao seu povo. É tentativa de falar da experiência de buscar caminhar segundo a vontade de Deus.


Movimento renovador

Mais do que obra de um autor, o livro do Deuteronômio resulta de movimentos e buscas de reforma e renovação surgidos no meio do povo de Deus a caminho de vida e liberdade. As situações de escravidão, dores e sofrimentos suportadas em distintas épocas de sua história sempre, de novo, despertaram anseios de libertação. A memória da Aliança, que Deus propusera como caminho para a vida com dignidade, ajudava a acreditar nesse projeto.

Acontecimentos trágicos, experiências de fracassos históricos, provocavam sérios questionamentos sobre condutas pessoais e o modo de vida comunitário. Os profetas, surgidos nessas fases de crise, ajudavam o povo a rever seu jeito de viver a sua fidelidade ao Deus da Aliança. Nesse percurso de reflexões surgem os escritos, como o do livro Deuteronômio. Lançam desafios bem intensos, convidando o povo a “observar com mais fidelidade a Lei de Deus”.

Este texto bíblico, assim surgido, recolhe aspectos significativos desse espírito de renovação favorecido pelas pregações dos profetas. Tornou-se uma referência importante para as necessárias revisões de vida que o povo realizava nas diferentes etapas de sua história. Tanto assim que é um dos livros do Antigo Testamento mais citado nos escritos bíblicos do Novo Testamento.


Temas importantes

Entre vários temas do livro a merecer atenção e reflexão, recebem destaque os que seguem. a) O amor. É a força unificadora do povo em seu caminhar na história. Foi por amor que Deus tirou o povo do Egito, da escravidão. Missão do povo é ser revelação do amor de Deus na humanidade. b) Memória. O livro ajuda o povo a manter viva a memória de sua caminhada. Sem ela, perde sua identidade e seu rumo na história. c) Serviço. A vivência dessa disposição é garantia de manutenção de vida com dignidade. d) Êxodo. O texto bíblico recorda ao povo esse acontecimento fundante de sua existência. E desafia a viver em estado permanente de Êxodo, de “saída” de todas as formas de escravização da vida. e) Comunidade. O povo, amado por Deus, é convidado a viver vida de comunidade, como irmãos e irmãs. f) Libertação. O livro insiste, a cada passo, na vivência da fidelidade ao verdadeiro Deus, “aquele que libertou o seu povo da escravidão”. g) Aliança. É a razão maior do esforço do povo: viver e confirmar a fidelidade à Aliança com o Deus que liberta para a vida com dignidade. Este projeto desafia sua vida?


Autor: Pe. Carlos José Griebeler - Pároco em Santo Cristo

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