Fé e devoção popular - Entrevista temática com o Pe. Afonso Werle



Junho é conhecido como mês das festas juninas, mês dos Santos Populares, tais como Sagrado Coração de Jesus, São João Batista, Santo Antônio, entre outros. Assim, junho é um mês marcado pela fé e devoção popular. E, buscando refletir sobre esse tema, a PASCOM da Diocese Angelopolitana resgatou a entrevista temática com o Pe. Afonso Werle, atualmente Vigário Paroquial em Giruá, publicada na edição de junho do ELO Diocesano de 2020. Confira:


Elo Diocesano: Padre Afonso, no Brasil, o mês de junho é fortemente marcado por devoções e festejos dedicados aos santos populares: São Pedro, São Paulo, São João Batista, Santo Antônio e outros mais. Como essa fé popular se manifesta em nossa diocese?

Pe. Afonso: Uma realidade significativa, sem dúvida, o que acontece anualmente nas festas juninas: Santo Antônio (dia 13); São João Batista (24); São Pedro e São Paulo (29). O destaque é para região Nordeste, com praticamente um mês inteiro de festejos (de Santo Antônio a São Pedro), marcado pela alegria, música, dança, representações populares, misturando elementos de religiosidade e folclore. O povo é protagonista e leva o santo para a rua, salões e espaços públicos. As celebrações litúrgicas se concentram mais nos templos, fazendo a memória da vida do Padroeiro.

Cada região celebra os Santos à sua maneira. Em nossa Diocese, por exemplo, é forte a devoção pessoal e familiar a Santo Antônio, um dos santos mais populares, especialmente na sua imagem com o Menino Jesus nos braços. O povo tem uma relação muito afetiva com ele, o invoca para as coisas mais humanas e reais. Ele representa o sagrado que vem em socorro dos limites humanos. Como diz esse verso devocional: “Santo Antônio amado, meu padrinho e protetor, seja meu advogado, aos pés de Nosso Senhor”. Muitas comunidades e paróquias o tem como padroeiro.

Ao celebrar São João Batista, a tradição popular valorizou a fogueira de São João. Organizada, preparada e realizada no ambiente das comunidades, das escolas, das entidades sociais, do grupo familiar e vizinhança. Expressão da celebração da vida, da convivência fraterna, da gratuidade do tempo que Deus nos dá. Há espaço para apresentações culturais, trajes típicos e o compartilhar de comes e bebes (pipoca, pinhão, batata doce, rapadura, pastel, quentão, chimarrão...). O corpo e a alma são alimentados no ambiente da simplicidade, alegria e gratuidade.


Elo Diocesano: Por muitos séculos, a Igreja estimulou a devoção aos santos e também a piedade popular atribuindo-lhes poderes miraculosos. Com o Concílio Vaticano II, a Igreja passa a acentuar mais o testemunho de vida dos Santos. O que essa mudança contribuiu para a caminhada a Igreja?

Pe. Afonso: O Concílio nos convida a voltar às Fontes. Isso tem sua importância quando falamos da devoção aos santos. Por exemplo, o livro de Atos dos Apóstolos diz que ser cristão é testemunhar: “...receberão o Espírito Santo para serem as minhas testemunhas” (At 1,8); Pedro pregando “...Deus ressuscitou a este Jesus, e nós somos testemunhas disso” (At 2,32); Ananias dizendo a Paulo “...porque você vai ser testemunha de todas as coisas que viu e ouviu” (At 22,15).

Os primeiros séculos do cristianismo são marcados pelo testemunho até o martírio. Ao longo da história encontramos o fiel testemunho de uma multidão que abraçou os valores do Evangelho. Hoje, devemos perguntar: o que faz parte da verdadeira devoção e admiração aos santos? É resgatar o sentido original e mais profundo do testemunho desses homens e mulheres que nos antecederam no caminho da fé. Em consequência, ir além do cômodo sentimentalismo e, no discernimento, decidir-se a viver hoje o amor a Deus, a vida em comunidade, o serviço aos irmãos, o cuidado com a vida. Não foi esse o percurso de Santa Dulce dos pobres? Diz Paulo VI na Evangelii Nuntiandi: “A Boa Nova há de ser proclamada, antes de mais nada, pelo testemunho” (EN n. 21).


Elo Diocesano: Por muitos anos o sr. foi assessor do Apostolado da Oração (AO) em nossa diocese. A adesão a essa espiritualidade está presente na maioria de nossas paróquias. Como o sr. vê a atuação do AO na vida de nossa diocese e a importância do cultivo dessa espiritualidade em meio ao nosso povo?

Pe. Afonso: O Apostolado da Oração tem uma missão na Igreja. O próprio nome a indica: fazer apostolado, principalmente, através da oração. O Papa sugere este novo nome: Rede Mundial de Oração. Trata-se da oração cristã: engajada, fiel, que une fé e vida/oração e ação. A oração silenciosa e confiante do oferecimento diário, própria da espiritualidade do Coração de Jesus, no qual encontramos descanso para nossos sofrimentos, alívio para nossas dores, remédio para nossas doenças físicas e espirituais, encorajamento para carregar a cruz de cada dia e esperança de vida para todos.

Rica espiritualidade, que marca a vida de famílias e comunidades também em nossa diocese, em sintonia com uma multidão de mulheres e homens que, diariamente, oram a Deus, em união com a Igreja, nas intenções da humanidade inteira. O Papa Francisco, ao falar das bem-aventuranças, destaca essa santidade presente na vida de muitas pessoas do povo de Deus. Em nossas comunidades, os membros do AO podem ser um testemunho de vivência cristã, em permanente aprendizado na escola do Coração de Jesus.


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