Nos textos do livro bíblico Deuteronômio afirma-se uma verdade decisiva. Em distintas passagens se “revela que o verdadeiro Deus é aquele que libertou o seu povo da escravidão do Egito e lhe garantiu a vida”. Esta experiência fundante da vida e da fé do povo da Bíblia é expressa de diversos jeitos. Um modo bem especial é o texto que se costuma reconhecer como credo (profissão de fé) histórico, pois proclama “sua fé na ação libertadora de Deus”. Este texto se encontra na passagem bíblica Dt 26,1-11, mais precisamente nos versículos 5 a 9. Eis algumas oportunas anotações sobre este texto.

Tal profissão de fé histórica está situada no rito de louvor e gratidão a Deus pela sua graça em favor do povo. Prescrevia que, no início da colheita, a família se apresentasse, junto às lideranças da comunidade, com os primeiros frutos (primícias) da terra. Esse rito expressava o reconhecimento da benção de Deus ao trabalho realizado na terra. Celebrava o louvor, gratidão e súplica de proteção da vida. E, nessa ocasião, era proclamado, solenemente, esse credo. Ele enuncia “a experiência do povo com o Deus libertador que o organiza, tirando-o da escravidão e dando-lhe a terra e a vida”.

 

Povo migrante

O credo iniciava dizendo a situação do povo sofrido: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Mas ele tornou-se um povo grande, forte e numeroso” (Dt 26,5). Fala de um ancestral (pai) de um certo grupo (“arameu”), com vida sofrida (errante), que vai em busca de condições de vida. Com outros grupos, formam um povo.

 

Escravização

No entanto, no Egito são submetidos a uma severa escravidão. “Então os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão” (Dt 26,6). O que parecia ser ‘tábua de salvação’ resultou em aflições. Humilhações, maus-tratos, brutalidade e opressões diversas compunham o dia a dia do povo sofrido. Em tal situação de dor, em qualquer época histórica, emerge o anseio por libertação.

 

Clamor a Deus

Necessário, porém, se faz dar o primeiro passo. No texto bíblico: “Clamamos então ao Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu nossa voz e viu nossa opressão, nossa fadiga e nossa angústia” (Dt 26,7). Mesmo com sofrimento brutal, “o povo não perdeu a força de gritar a sua dor” (clamamos!). Este (clamor) já é o primeiro passo da libertação: tomar consciência da humilhação e desejar a saída dessa situação. E, ainda, afirma: o Senhor ‘ouviu’ a voz de quem sofria e ‘viu’ suas misérias. É o jeito (compaixão) do Deus da vida, sensível ao sofrimento de seu povo.

 

Libertação

Não é suficiente ouvir e ver a dor do povo. É preciso uma ação decisiva: “o Senhor nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios” (Dt 26,8). A ação de Deus em favor dos escravos foi a de tira-los do Egito, isto é, do sistema que os escravizava. Assim, abriu-lhes o caminho da liberdade.

No entanto, a gratuidade de Deus vai além. “E nos introduziu neste lugar, dando-nos esta terra, terra onde corre leite e mel” (Dt 26,9). Deus lhes assegura a ocupação da terra. Isso lhes permite experiência de vida livre e solidária, com terra e frutos partilhados! Sonho e esperança sempre!

 

Autor: Pe. Carlos José Griebeler - Pároco de Santo Cristo

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