Faz sentido preservar a Amazônia? Qual é a importância desse ecossistema para o mundo? Com que intenções voltar as atenções para essa realidade? São questões que surgem e que inquietam quando se trata deste tema. Papa Francisco anota uma observação bem pertinente: “Se o cuidado das pessoas e o cuidado dos ecossistemas são inseparáveis, isto torna-se particularmente significativo lá onde ‘a floresta não é um recurso para explorar, é um ser ou vários seres com os quais se relacionar’”.

E quem vive nesse ‘universo ambiental’, a Amazônia, tem recados bem firmes. “Os danos à natureza preocupam-nos, de maneira muito direta e palpável, porque ‘somos água, ar, terra e vida do meio ambiente criado por Deus. Por conseguinte, pedimos que cessem os maus-tratos e o extermínio da ‘Mãe Terra’. A terra tem sangue e está sangrando, as multinacionais cortaram as veias da nossa ‘Mãe Terra’”. E mostram semelhante compreensão do valor e da importância do rio Amazonas. Ele “é a coluna vertebral que harmoniza e une: ‘o rio não nos separa; mas une-nos, ajudando-nos a conviver entre diferentes culturas e línguas’”.

 

Equilíbrio ambiental

Os debates, no Sínodo sobre a Amazônia, destacam sua importância vital para o planeta. O Papa acolhe essa percepção em sua Carta. O longo texto mostra algo disso.

 

“O equilíbrio da terra depende também da saúde da Amazônia. Juntamente com os biomas do Congo e do Bornéu, deslumbra pela diversidade das suas florestas, das quais dependem também os ciclos das chuvas, o equilíbrio do clima e uma grande variedade de seres vivos. Funciona como um grande filtro do dióxido de carbono, que ajuda a evitar o aquecimento da terra. Em grande parte, o solo é pobre em húmus, de modo que a floresta ‘cresce realmente sobre o solo e não do solo’. Quando se elimina a floresta, esta não é substituída, ficando um terreno com poucos nutrientes que se transforma num território desértico ou pobre em vegetação. Isto é grave, porque, nas entranhas da floresta amazônica, subsistem inúmeros recursos que poderiam ser indispensáveis para a cura de doenças. Os seus peixes, frutos e outros dons sobreabundantes enriquecem a alimentação humana. Além disso, num ecossistema como o amazônico, é incontestável a importância de cada parte para a conservação do todo. As próprias terras costeiras e a vegetação marinha precisam de ser fertilizadas por aquilo que o rio Amazonas arrasta. O grito da Amazônia chega a todos,”... por conta das ameaças de sua destruição e dos riscos que tal representa para a humanidade.

 

Cuidar a natureza

A consciência do valor e da importância da Amazônia para a vida da humanidade precisa tornar-se atitudes e práticas de preservação e cuidado desse ambiente natural. Tais ações tenham sempre em conta a sabedoria dos povos nativos que aí vivem. A ela sejam agregados conhecimentos técnicos que favoreçam modos sustentáveis de intervenção nessa natureza. Trata-se de superar visões estreitas e interesseiras com propósitos sinceros. “Aprendendo com os povos nativos, podemos contemplar a Amazônia, e não apenas analisá-la, para reconhecer esse precioso mistério que nos supera; podemos amá-la, e não apenas usá-la, para que o amor desperte um interesse profundo e sincero; mais ainda, podemos sentir-nos intimamente unidos a ela, e não só defendê-la: e então a Amazônia tornar-se-á nossa como uma mãe.”

Tal iniciativa não se restringe a questões técnicas ou meras decisões políticas. É preciso ampliar as compreensões. “Não haverá uma ecologia sã e sustentável, capaz de transformar seja o que for, se não mudarem as pessoas, se não forem incentivadas a adotar outro estilo de vida, menos voraz, mais sereno, mais respeitador, menos ansioso, mais fraterno”. São jeitos bem provocantes.

 

Autor: Pe. Carlos Griebeler - Pároco de Santo Cristo

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