Setembro: mês especial da Palavra de Deus


A iniciativa de um mês da Bíblia tem suas raízes na arquidiocese de Belo Horizonte, no ano de seu cinquentenário (1971). Aos poucos, a semente tornou-se uma árvore e espalhou seus ramos por todo o Brasil e para além dele. A partir de 1985, é um projeto da Igreja assumido no Brasil inteiro.

Os objetivos do mês da Bíblia são, desde o início, apoiar as diversas formas de presença da Bíblia na evangelização, criar subsídios e facilitar o diálogo entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.

A cada ano, um tema ou um texto da Bíblia (um livro inteiro ou uma seleção de capítulos) é objeto de estudos, meditações, orações e tomadas de decisão – pessoalmente, em grupos e nas comunidades. Já foram 48! Este ano, o texto proposto é o livro do Deuteronômio. O lema expressa uma preocupação central desse livro bíblico: “Abre tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11).

Pode-se dizer que o nome do livro significa memória que faz viver. O livro retoma, faz memória da Lei e do Êxodo. Daí seu nome. “Dêuteros” significa “segundo/a” e “nomos” é “Lei”. O povo de Deus tinha esquecido ou abandonado em boa medida o caminho de vida que havia brotado do Êxodo, a Lei que gerava vida. Era preciso retomar, fazer memória e atualizar tudo isso.

Inspirando-nos em vídeos produzidos pelo padre Décio Walker e equipe (disponíveis na internet), destacamos aqui sete temas fundamentais do livro:

A primeira pérola é a o amor de Deus agindo na história. É preciso ter presente que a libertação e a vida plena vêm do amor apaixonado de Deus que age na história do povo. É Ele que toma a iniciativa. Vê a situação em que vivem os hebreus no Egito e resolve “descer” para libertá-los e conduzi-los a uma situação de liberdade e de vida.

A segunda joia é a inspiração que brota da memória do passado. Lembrar os feitos de Deus e a caminhada do povo inspira nossa caminhada e lhe dá força.

A memória faz entender a missão, terceira preciosidade evocada no Deuteronômio. O amor de Deus desperta para a missão de construir relações de justiça e fraternidade, de acolhida e integração de todos, tendo cuidados especiais para não permitir a discriminação e a exclusão de irmãos mais fracos ou diferentes.

Deuteronômio lembra muito o êxodo, a saída. É a quarta riqueza a destacar. Êxodo não é um fato do passado. É uma realidade do presente, um desafio. O Papa Francisco nos lembra isso muito, propondo uma “Igreja em saída”.

A saída, o êxodo, tem uma direção que o povo de Deus não pode esquecer: os pobres. É o quinto ponto que merece atenção especial. Não deve haver pobres, porque a Lei de Deus determina a prática da justiça e da solidariedade. Mas a realidade é sempre distante da perfeição. Então, se há pobres, é preciso abrir a mão e socorrê-los. A insensibilidade para com os pobres mata tanto os pobres quanto aqueles que lhes fecham as mãos.

A memória do Êxodo feita no Deuteronômio recoloca o povo na fé em Deus que vem libertar sempre de novo. Esse é o sexto tema que se destaca no livro bíblico. É preciso cultivar a fé no Deus verdadeiro, no Deus libertador, no Deus que amou, ama e sempre amará o seu povo.

E para coroar as sete pérolas, brilha diante de nós o tema da aliança. A Bíblia, do começo ao fim, traz no coração esse tema. Deus faz aliança com seu povo, quer ser e é o seu Deus que caminha com ele. E o povo responde com sua adesão, faz também aliança com o Deus libertador.

O desafio que se coloca para nós é o de “reescrever” em nossa realidade e em nossa vida tanto a “primeira” (Êxodo) quanto a “segunda Lei” (Deuteronômio). E tudo isso à luz daquele que veio dar pleno cumprimento à Lei e aos Profetas (Mt 5,17). Fazer memória das memórias e das memórias das memórias que constituem a base de nossa fé, eis nosso desafio.


Autor: Pe. Léo Zeno Konzen - Professor de Bíblia no IMT

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