Papa Francisco inicia o primeiro capítulo de sua Carta “Querida Amazônia” com uma afirmação bem significativa. “O nosso é o sonho duma Amazônia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o ‘bem viver’”. Ele anota como título: “um sonho social”. Nele aborda aspectos bem marcantes dessa importante dimensão da realidade da Amazônia a merecer as atenções de toda humanidade.

As questões sociais, isto é, os temas da vida das pessoas em sociedade, onde quer que estejam vivendo, sempre precisam estar presentes nas reflexões da Igreja. Segundo o Papa, é preciso “ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”, ao tratar da vida da Amazônia. O Sínodo, realizado em outubro de 2019, foi especial por seu jeito: escutar as vozes de quem vive “nesse mundo plurinacional, a Amazônia”!

Uma fala desse povo ilustra isso: “Estamos sendo afetados pelos madeireiros, criadores de gado e outros terceiros. Ameaçados por agentes econômicos que implementam um modelo alheio em nossos territórios. As empresas madeireiras entram no território para explorar a floresta, nós cuidamos da floresta para nossos filhos, dispomos de carne, pesca, remédios vegetais, árvores frutíferas (…). A construção de hidroelétricas e o projeto de hidrovias têm impacto sobre o rio e sobre os territórios (…). Somos uma região de territórios roubados”. O Papa recolheu esta fala e a anotou em sua Carta!

 

Compreensões...

A reflexão que o Papa apresenta em sua Carta percebe também e anota compreensões ‘interesseiras’ sobre este tema. Ele escreve: “a Amazônia tem sido apresentada como um enorme vazio que deve ser preenchido, como uma riqueza em estado bruto que se deve aprimorar, como uma vastidão selvagem que precisa de ser domada”. Tal jeito de propor as questões tende a não reconhecer as práticas, iniciativas e a vida de quem vive, com grandes tradições, nessa região.

 

Sua observação vai, ainda, além. Aponta propósitos, muitas vezes ‘velados’, presentes nessas preocupações. Afirma: “Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar a própria água potável, ou quando as autoridades deixam mão livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam as florestas e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata”. É um alerta contundente! Tais compreensões, por certo, dificultam a realização do “sonho social”, de uma convivência de paz!

 

Perspectivas

A partir dessas constatações, a Carta oferece indicações de caminhos promissores. “A luta social implica capacidade de fraternidade, um espírito de comunhão humana”, sinaliza a reflexão. Destaca, pois, uma perspectiva comunitária ao afirmar: “a vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e se compartilham em função do bem comum”. E complementa: “a sabedoria do estilo de vida dos povos nativos - mesmo com todos os limites que possa ter - estimula-nos a aprofundar tal anseio”.

E conclui a reflexão desse capítulo indicando o caminho do diálogo: “a Amazônia deveria ser também um local de diálogo social, especialmente entre os diferentes povos nativos, para encontrar formas de comunhão e luta conjunta. Os demais, somos chamados a participar como ‘convidados’, procurando com o máximo respeito encontrar vias de encontro que enriqueçam a Amazônia”. E ainda sugere o jeito de viver tal perspectiva: “o diálogo não se deve limitar a privilegiar a opção preferencial pela defesa dos pobres, marginalizados e excluídos, mas há de também respeitá-los como protagonistas”. Eis um caminho a seguir!

 

Pe. Carlos José Griebeler - Pároco de Santo Cristo

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