Crer. Acreditar. Confiar. Acolher. Seguir. Viver. Eis expressões que indicam atitudes, vivências, práticas de e da fé. A fé firme e forte faz caminhar confiante em meio a contrariedades, adversidades e incertezas. A fé vacilante deixa a pessoa insegura, desacreditada de si mesma, até em situações bastante serenas. E ainda que alguém nem admita, ou sequer reconheça, a fé é uma dimensão constitutiva e decisiva da vida humana. E, isso, nas suas mais diferentes manifestações.

“Estes sinais foram escritos para que creiais”, anota o evangelista no Evangelho segundo João. E acrescenta: “e para que, crendo, tenhais a vida” (cf. Jo 20,31). Tais palavras indicam uma das importantes finalidades das Escrituras Sagradas, qual seja, a de suscitar, despertar e fazer crescer a fé. Os relatos bíblicos resultam de experiências de fé; são anotados como testemunho dessa fé vivida; e tem como propósito levar outras pessoas à fé.

Em sua Carta “Aperuit Illis”, Papa Francisco aborda dimensões intensas dessa questão. Em sua reflexão, ele afirma: “é profundo o vínculo entre a Sagrada Escritura e a fé dos crentes” (“crente” é ‘quem crê’, pessoa que vive por sua fé). Desse modo, reconhece e confere destaque especial a esse aspecto - a importância decisiva das Escrituras para a vitalidade da fé das pessoas que creem.


Caminho da fé


Ao tratar deste tema, em sua Carta, o Papa retoma o texto bíblico do relato da caminhada de dois discípulos para Emaús. E percorre esse texto, mostrando essa relação íntima, intensa e decisiva entre a atenção às Escrituras e o vigor da fé das pessoas. E ele segue esse trajeto na busca de elementos que favoreçam o aprendizado de fé.

Ao recordar esse texto, o Papa anota: “aqueles dois discípulos conversavam sobre os recentes acontecimentos da paixão e morte de Jesus. O seu caminho é marcado pela tristeza e a desilusão, devido ao trágico fim de Jesus”. Com tal observação refere um caminhar sem a força da fé, sem a luz da Palavra de Deus.

E continua: “discretamente, o Ressuscitado em pessoa aproxima-Se e caminha com os discípulos, mas eles não O reconhecem (cf. Lc 24,16)”. Estavam assim, incapacitados, pela sua falta de fé nas Escrituras. Ao caminhar com eles, Jesus nota essa sua fragilidade; e os chama “homens sem inteligência e lentos de espírito” (Lc 24,25). E passa a lhes falar das Escrituras, explicando-as, de tal modo, que lhes “faz arder o coração”. E isso se torna um passo decisivo para a sua fé.


Palavra e fé


Desse modo, em sua Carta, o Papa ressalta essa importância decisiva da Palavra viva de Deus para a vitalidade da fé. E ela passa pelo reconhecimento da vida e ação de Jesus Cristo. Sem Ele, a fé seria vã, vazia. E o Papa afirma: “Por isso a Bíblia, enquanto Escritura Sagrada, fala de Cristo e anuncia-O como Aquele que deve passar pelo sofrimento para entrar na glória (cf. Lc 24,26)”. Este é o fundamento firme da fé sólida; ou, conforme o texto bíblico, “a pedra angular”

Tal afirmação é complementada com a que segue: “uma vez que as Escrituras falam de Cristo, consentem acreditar que a sua morte e ressurreição (...) encontram-se no centro da fé dos seus discípulos”. E essa centralidade, assim reconhecida, lhe confere firmeza e vigor. Este aspecto faz o Papa concluir tal tema com a observação: “sabendo que a fé vem da escuta, e a escuta centra-se na Palavra de Cristo (cf. Rm 10,17), daí se vê a urgência e a importância que os crentes devem dar à escuta da Palavra do Senhor, tanto na ação litúrgica, como na oração e reflexão pessoais”. Assim, a fé resulta fortalecida.


Autor: Pe. Carlos José Griebeler

Pároco da paróquia Ascensão do Senhor - Santo Cristo

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