Os discípulos caminhantes, desiludidos, iam para Emaús. No caminho, alguém os acompanha. Eles o convidam a entrar em sua casa. Ele “parte” o pão com eles. Reconhecem nele Jesus ressuscitado. Tal experiência intensa muda suas disposições e tomam nova atitude. O evangelista Lucas anota: “naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém” (Lc 24,33). O encontro intenso com Jesus impulsiona os discípulos a sair em missão, ir às demais pessoas, partilhar sua experiência.

Assumir a missão implica ser fiel na promoção de vida digna. Não se trata de ensinar, corrigir, fazer justiça com as próprias mãos. Importa perceber que ela se traduz na capacidade de amparar as vítimas de injustiças, em atender pessoas desamparadas e realizar práticas solidárias na busca da paz. Na vivência de tais iniciativas não há limites, nem fronteiras.

Na vida das comunidades cristãs, a animação bíblica da pastoral favorece a descoberta de “que toda a vida de Jesus é uma vida em saída a serviço do amor do Pai pelo mundo”. Ela mostra que Jesus, movido por esse amor, “colocou-se em movimento para sair ao encontro dos pobres, dos marginalizados, dos sofredores e dos excluídos da sociedade”. Motiva a quem o reconhece como Mestre a segui-lo nesse caminho de missão.


Missão é sair...


Em sua reflexão sobre a Animação Bíblica da Pastoral, os bispos afirmam: “o caminho de Jerusalém para Emaús tem um profundo significado teológico e existencial. Os discípulos vêm tristes porque Jesus morreu. Aquele em quem colocaram todas as suas esperanças não está mais, portanto não tem sentido permanecer em Jerusalém, junto a comunidade de discípulos de Jesus. Então decidem deixa-la e ir para Emaús, provavelmente com a intenção de fazer o que faziam antes de conhecer a Jesus. Mas algo inesperado acontece no caminho. Jesus se apresenta a eles, primeiro de forma velada, e revelando-se pouco a pouco, explicando o que dele diziam as Escrituras e depois no gesto da fração do pão. Uma vez que o reconhecem, Jesus desaparece, mas eles se dão conta que algo havia acontecido no caminho, que voltou a arder o coração como lhes ardia quando ouviam os ensinamentos de Jesus, junto com os outros discípulos e os doze. Então, mudando seus planos, decidem retornar a Jerusalém e à comunidade porque Jesus está vivo e é preciso continuar com sua missão. Retornam e encontram os demais discípulos que alegres diziam: ‘É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!’ (Lc 24,34)”.

A disposição missionária, neles despertada, os faz sair de suas decepções, de suas cegueiras e os faz caminhar. Percebem que a missão é participativa, é um mutirão onde todos são convidados a compartilhar, de diversas formas, seus aprendizados. Descortinam horizontes de solidariedade e paz.


Animação bíblica, missão pastoral


O evangelista Lucas lembra que no gesto de partir o pão, os discípulos reconheceram Jesus, que “desapareceu” de sua frente. Os vários gestos de Jesus com eles, em especial o de partir o pão, ajudou-os a despertar sua autonomia, a ser agentes, a tomar decisões, a sair. E eles ‘voltam’ à comunidade donde tinham se retirado.

Uma tarefa importante da animação bíblica é a de “formar comunidades orantes da Palavra”. Nelas há a partilha de vida à luz da Palavra; nelas se recebe a força para a missão e se confirma o compromisso com a vida digna para todas as criaturas. Desse modo, cria condições “para que a Palavra de Deus seja cada vez mais o coração da vida da Igreja e da sua missão”. Assim, Ela “anime a vida de cada um dos fiéis e se transforme em seu alimento”. E se torne “fonte que impulsiona na Igreja um estado permanente de saída missionária”. Você vive esta missão?

Autor: Pe. Carlos Griebeler

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