“Depois que se sentou à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu a eles” (Lc 24,30). O evangelista Lucas anota este gesto de Jesus, ao relatar seu encontro com os discípulos que iam à Emaús. Era um caminhar marcado pela tristeza. Eles estavam desanimados. Seu Mestre fora morto. Ao caminhar, um estranho peregrino se aproxima e caminha com eles. Pergunta-lhes, os escuta e lhes fala. Eles o convidam para ficar com eles. E lhe oferecem pão. Por certo, um pouco de pão, daquele de cada dia, simples, alimento de pobres.

Comer, juntos, o pão à mesa da refeição. Eis um gesto humano intenso, profundo. Como tal, é exigente e gratificante. Requer familiaridade, uma certa intimidade. Dificilmente alguém ousaria sentar à sua mesa e partilhar seu pão com um estranho ou com quem tenha grandes ‘desencontros’. Tomar, juntos, o pão à mesa torna-se gratificante experiência de partilha de vida. É estar em comunhão de vida. Alegra o coração das pessoas, fortalece sua convivência.

Na vida da comunidade cristã podem ocorrer situações de desencanto, um viver rotineiro “sem sabor”. Para sair desse ‘marasmo’ é preciso que Jesus seja convidado a estar “à mesa”. E se lhe ofereça o pão da singela acolhida. Para tanto, lembram os bispos da América Latina, “é de vital importância que toda a sua pastoral e toda ação eclesial seja animada pela Palavra de Deus e a tenha como alimento para a vida cristã”.

 

Jesus Cristo, Pão da vida...

 

No ‘caminho para Emaús’, ao chegar à sua casa, os discípulos oferecem pão ao “estranho”. Sem ainda o reconhecer, sentem necessidade de estar com ‘ele’. Sua companhia lhes era alento, como alimento para suas fomes. E, neste contexto familiar (em casa, à mesa!), Jesus parte o pão e o dá a eles. Este gesto de Jesus reativa a sua memória de fé. E seus olhos se abrem e O reconhecem. Jesus, ao partir o pão que eles lhe deram, se lhes dá como Pão da Vida.

Tomar juntos uma refeição pode tornar-se algo rotineiro como simples fartar-se de comida. Ou pode ser vivido como comunhão de vidas. A comensalidade, o sentar juntos à mesa, mostra disposições de fraternidade e de solidariedade social. Comer juntos significa que há laços de mútua estima a permear a vida de seus participantes.

A animação bíblica da pastoral, nas comunidades, constitui-se como um “espírito” a favorecer a comunhão de vida. Incentiva a disposição de sentar à mesa para “saborear” o pão da Palavra de Deus. Desperta atitudes de reconhecimento da presença de Deus em meio às situações de fome e de desencanto a acompanhar a vida de cada dia.

 

Animação bíblica, Palavra que sacia...

 

Quando Jesus partiu o pão e o deu a eles, os seus olhos se abriram e puderam perceber a mudança nos seus corações durante o caminho. Sua fome de esperança fora saciada pela presença de quem lhes falara ao caminhar mais do que pelo pão que lhes dera. O partir do pão confirmou em sua vida a força da Palavra que lhes dirigira.

Partir o pão é confraternizar, celebrar o encontro de pessoas em busca, dar-se a conhecer; vivenciar juntos a ação de graças. Festejar a vida renovada e restabelecida na dignidade desperta a memória da caminhada realizada. A memória é fonte de coragem e esperança. É vivenciar a gratuidade da presença de Jesus ressuscitado na vida de cada dia.

Como Jesus, ao partir o pão e o dar aos discípulos, a animação bíblica da pastoral assegura, nas comunidades, a partilha da Palavra que sacia as ‘fomes’ do povo de Deus. Assim, cria, fortalece e confirma a atitude de “estar à mesa” com o Senhor e “saborear” o pão da Palavra, sustento da vida de fé. Tens fome deste Pão?

 

Pe. Carlos José Griebeler

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