No caminho para Emaús, conforme relato de Lucas no Evangelho, Jesus aceitou o convite deles e “entrou para ficar com eles”. Os discípulos, caminhando com o forasteiro ‘estranho’, após escutar sua fala, convidam-no para ir a sua casa. Foi atitude corajosa, gesto ousado convidar alguém, que não tinham reconhecido, para entrar em sua casa. Estranhamente a “conversa” pelo caminho ajudou-os a passar do estranhamento para a familiaridade. E o recebem em sua casa.

Entrar na casa de outra pessoa indica uma atitude muito intensa nas relações humanas. Revela uma disposição de grande importância na convivência. Mostra passo decisivo no esforço de ir ao encontro do outro. Significa adentrar no espaço de intimidade que requer um necessário respeito a quem recebe a visita. Estar com o outro em sua casa aponta um modo de tomar parte na sua vida. Tal encontro resulta em marcas significativas nas pessoas envolvidas.

“Mestre, onde moras?”, lhe perguntaram os seguidores do Batista, que lhes indicara Jesus. Ele lhes diz: “vinde e vede”. O Evangelho anota: “foram, viram onde morava e permaneceram com ele aquele dia”. Tais formas de relatar mostram esta busca de Jesus de encontrar-se em casa com discípulos e discípulas. Ele convida para “estar com Ele”; outras vezes vai a sua casa. Mostra sua disposição de estar em casa, intensificar a familiaridade com seus seguidores.

 

Familiarizar-se com a Palavra

A tradição cristã lembra que os seguidores de Jesus reuniam-se nas casas. Era seu espaço de encontro, de meditação da Escritura, de oração, de partilha do pão. Ali encorajavam-se, uns aos outros, para viver seu testemunho em meio às adversidades do dia-a-dia. Também Jesus, relata o Evangelho, após ensinar as multidões, ‘em casa’ explicava aos discípulos os mistérios do Reino. Desse modo, podiam familiarizar-se mais com a Palavra.

Acolher alguém na casa favorece a familiaridade com essa pessoa. Algo semelhante ocorre com a Palavra. Não basta ouvir, apenas; talvez até estudar, conhecer, saber. É preciso mais: trata-se de A acolher (como se ‘recebe’ alguém em sua casa!), vive-la e testemunhá-la pelo amor fraterno. No entanto, isso não apenas na vida pessoal. A comunidade cristã é como a casa da Palavra. Nela as pessoas, pela leitura orante, meditação e práticas de amor fraterno, crescem na familiaridade com a Palavra.

No espaço ‘casa’, no jeito próprio do convívio (“estar com Ele”!) forma-se o coração de discípulo/discípula. A escuta atenta da Palavra favorece encontro mais intenso com o jeito de viver de Jesus Cristo. E essa familiaridade confirma o testemunho cristão, renova a esperança e fortalece o amor solidário.

 

Animação bíblica, casa da Palavra

 

As comunidades cristãs vivem da Palavra de Deus: dela nascem, são por ela sustentadas e iluminadas nos caminhos da história neste mundo, em seu peregrinar para o Reino de Deus. E, ao mesmo tempo, são como a casa da Palavra: na sua comunhão, Ela se encarna, tornando-se fonte de vida, “espírito” a conduzir a vida dos filhos e filhas de Deus. Nesta “casa”, em sua companhia, experimentam Sua força.

Em especial, na vida da comunidade, a animação bíblica da pastoral atualiza essa experiência, torna presente esse “espírito”. Ela favorece o crescimento dessa familiaridade das pessoas com a Palavra. Com seu serviço assegura que a comunidade seja, sempre mais, casa da Palavra, de modo que nela as pessoas sintam-se em casa com a Palavra.

A presença de Jesus na casa dos “discípulos de Emaús” despertou neles maior familiaridade com a Palavra viva. A animação bíblica da pastoral ajuda a reconhecer e estimar a força mobilizadora da Palavra de Deus na vida comunitária. Em sua casa, os discípulos reconheceram o ressuscitado e renovaram suas razões para viver. O espírito do ressuscitado assegura a ação “hospitaleira” da comunidade, casa do povo de Deus. Você acolhe a Palavra em sua casa?

Pe. Carlos José Griebeler

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