MISSA DA TERRA SEM MALES

17/09/2019

Ao entardecer deste domingo, dia 15 de setembro, em frente ao átrio da Catedral Angelopolitana, foi celebrada a Santa Missa da Terra Sem Males. A celebração que reuniu uma grande número de pessoas na praça Pinheiro Machado foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Liro Vendelino Meurer, e concelebrada por padres da Diocese.

Estruturada em sete movimentos musicais, compostos pela Abertura, Memória Penitencial, Aleluia, Ofertório, Rito da Paz, Comunhão e Compromisso Final, a Missa da Terra Sem Males marcou a chega do primeiro grupo de peregrinos que, em 30 dias, percorreu 740 quilômetros, iniciando a Caminhada Internacional das Missiones, via Paraguai, Argentina e Brasil.

Animada por um coral de 100 vozes, com diversas coreografias de grupos de dança, a celebração fez memória da trajetória de resistência dos povos indígenas aos conquistadores no período das Reduções Jesuítico-Guaranis.

Como momento marcante, de profunda reflexão, a fala do cacique da tribo do distrito de Burití, em Santo Ângelo, nos recorda que o povo guarani foi capaz de sonhar não com um “Céu sem males”, mas sim com essa Terra Sem Males.

 

Veja a Homilia do Pe. Léo Zeno Konzen

 

Saudação...  “Irmãos e irmãs”...

 

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Bendito seja Deus...

 

Que nos reuniu para nos falar e nos ouvir... “Como um pai ao redor de sua mesa, revelando seus planos de amor”...

 

Primeiro, para nos falar...O que terá a nos dizer?

Ele quer falar-nos de suas maravilhas, de seu amor, de sua acolhida, de sua misericórdia... Ele anseia por mostrar-nos que Ele é como um pastor que não admite conformar-se com a perda de uma única ovelha do seu rebanho... Ele é como uma mulher que não admite perder uma única de suas dracmas ou joias... – como ouvimos no Evangelho há pouco proclamado.

Ele quer falar-nos também da beleza de uma de suas criaturas mais fascinantes, os povos originários de nossas terras...

Ele deseja falar-nos da força de seu Espírito que gerou uma das realizações mais incríveis da História da Humanidade, que foram as reduções jesuítico-guaranis em nossas terras paraguaias, argentinas e brasileiras... Experiências humanas essas que orgulham até as primeiras comunidades cristãs, cujas experiências de vida comunitária nos são narradas na Bíblia, no livro dos Atos dos Apóstolos... Espírito de partilha e solidariedade que fazia acontecer o milagre de não haver necessitados entre eles!

Ele quer FALAR-NOS TAMBÉM da dor do seu coração pelo que fizemos com seus filhos e filhas amados, os povos originários, os índios dessas terras... Dor e indignação pela violência praticada, pela discriminação, pela escravização e, sobretudo, pela destruição violenta das admiráveis reduções aqui organizadas num consórcio harmonioso entre missionários cristãos e populações indígenas.

Deus quer FALAR-NOS TAMBÉM de sua indignação pelo que fizeram povos que se diziam cristãos, praticando verdadeiros genocídios, com a cruz e a espada na mão...

Deus pai deseja FALAR-NOS TAMBÉM de suas queixas e sua desaprovação diante de sua Igreja que, apesar de ter sido tão comprometida com o respeito e a defesa dos indígenas, foi também tantas vezes cúmplice dos crimes cometidos contra eles.

Deus nos reuniu também para FALAR-NOS AO CORAÇÃO E NOS PERGUNTAR: vocês estão arrependidos do que fizeram vossos antepassados? Vocês sentem uma “santa inveja” da lindíssima história de vida comunitária e do sonho da terra sem males de seus irmãos e irmãs indígenas, junto com os missionários comprometidos com sua cultura, seus direitos e sua humanidade?

Deus nos reuniu para nos questionar: Vocês estão dispostos a assumir um COMPROMISSO de comprometer-se com os remanescentes e descendentes dos povos indígenas e daqueles que na sociedade de hoje a eles se assemelham? Vocês estão dispostos a comprometer-se com POLÍTICAS PÚBLICAS de defesa e promoção dos direitos dos mais frágeis da sociedade, que também muitas vezes são os mais sábios?

 

Deus aqui nos reuniu no amor de Cristo TAMBÉM PARA OUVIR-NOS. Que diremos a Ele?

Sugiro que lhe digamos um sincero MUITO OBRIGADO pelas culturas de nossos povos indígenas e pelo maravilhoso sinal de vida comunitária e solidária das reduções...

Sugiro que também lhe peçamos perdão pelos crimes cometidos ao longo de séculos...

Sugiro que lhe digamos ainda, com humildade e de coração sincero, de nosso compromisso de levarmos em frente uma EVANGELIZAÇÃO que promova a vida e não a destrua, uma POLÍTICA que priorize os direitos dos pobres, uma EDUCAÇÃO que cultive o respeito pela alteridade.

Irmãos e irmãs, “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo...” Amém.

 

Santo Ângelo, 15/09/2019

Pe. Léo Zeno Konzen

 

Colaboração: Fotos - Caminho das Missões.

 

 

 

 

 

 

 

 

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