O bispo Dom Liro Vendelino Meurer preside Missa da Ceia do Senhor  na Catedral em Santo Ângelo

29/03/2018

A Missa presidida pelo bispo e concelebrada pelo Pe. Rogério foi celebrada às 19 horas na Catedral com a participação de um grande número de fies. Durante a celebração o bispo, Dom Liro Vendelino Meurer lavou os pés de 12 pessoas da comunidade fazendo o gesto que Jesus fez na última Ceia ao lavar os pés dos seus discípulos. Jesus com o seu gesto quis ensinar que devemos servir uns aos outros. Dom Liro em sua homilia destacou a instituição da Eucaristia, a instituição do Sacerdócio Ministerial e o anúncio do seu Evangelho que consiste no amor fraterno.

 

Veja a seguir na integra a homilia de Dom Liro

 

O Tríduo Pascal é inaugurado com a celebração desta noite. Celebramos nesta noite a despedida de alguém que vai voltar para o Pai.

Estamos diante do Testamento que Jesus nos legou: a Eucaristia, o Sacerdócio e o mandamento do Amor. Celebramos a última Ceia do Senhor, porque nessa noite Jesus foi traído por Judas Iscariotes. Nesta noite Jesus foi preso no Jardim das Oliveira, foi levado, amarrado, à casa de Caifás, e acusado de se fazer Filho de Deus. Aquele que assumira a condição humana por amor, sofre o ódio e a perseguição. Aquele que passou pelo mundo fazendo o bem, é preso e é açoitado como criminoso. Essa é à noite da traição e do beijo de Judas.

Viemos aqui para celebrar o amor e a fidelidade. Vamos atualizar o mistério da instituição da Eucaristia, como dom de Deus para cada um de nós. Queremos celebrar, viver o amor e a fidelidade de Deus, encarnados na pessoa santíssima de Jesus de Nazaré, manifestados em três grandes gestos que podem ser o seu testamento: a instituição da Eucaristia, a instituição do Sacerdócio Ministerial e o anúncio do seu Evangelho que consiste no amor fraterno.

Vamos refletir um pouco sobre o mistério que celebramos com fé: a Santa Eucaristia. Com a instituição da Eucaristia Jesus permanece em nosso meio, em forma de alimento, de comida, na fração do pão que se transforma no corpo e na espécie do vinho que se transforma no sangue do Redentor. Jesus está em nosso meio como família, como alimento pascal, como alimento eterno. O próprio Cristo instituiu a Eucaristia ao afirmar: “Tomai todos e comei. Isto é meu Corpo; Tomei e bebei, Isto é o meu Sangue!” Jesus é o próprio Pão Vivo que desceu do céu para nos salvar. Quem comer deste pão viverá eternamente.

A segunda reflexão desta noite é sobre o Sacerdócio. O Sacerdócio foi instituído para que a Eucaristia fosse celebrada como dimensão maior da expressão do amor divino pela humanidade. Ao celebramos a Santa Missa, celebramos o amor, o Sacramento da presença de Deus, o Sacramento da Comunhão. Assim Jesus instituiu os Sacerdotes e o sacerdócio, fez o padre e o ligou para sempre à origem e à finalidade da Eucaristia. A partir da última Ceia, é o sacerdote – e exclusivamente o sacerdote de Cristo – que faz a Eucaristia, que a celebra. Ela é a principal e central razão do ser do sacerdócio. Sacerdote, dom divino que o Cristo, sumo e eterno sacerdote do Pai, quis repartir com o homem.

No texto da carta aos Coríntios que escutamos, a ceia celebrada pelas comunidades cristãs é celebração da nova aliança, inaugurada por Jesus, da qual os cristãos se tornam participantes, em que se evidencia os elementos essenciais da eucaristia. Jesus a instituiu como memória de sua morte. É sacrifício (= ação sagrada), dom total de Jesus, em consciência e liberdade, pela vida do mundo. É sustento para os que dela participam, comprometidos na vivência do amor, até que Jesus venha.

No Evangelho, João introduz um gesto original de Jesus após a ceia: o lava-pés. Prestes a cumprir a sua missão, o seu êxodo definitivo, o caminho do calvário, o gesto do lava-pés é, por excelência, o modelo de comportamento que os seguidores de Jesus deverão seguir. O Mestre e Senhor se faz servo dos seus discípulos, também daquele que já consentiu em traí-lo. O seu amor é incondicional, como revelou em toda a sua missão. Por isso, rompeu com todas as instituições que discriminam e matam. Chegou sua “hora”, e Jesus a acolhe com plena consciência e responsabilidade.

O gesto do lava pés é o cartão de visita de Jesus e dos seus seguidores. O lava-pés simboliza o amor como doação plena. Dá-se em forma de serviço. Cai por terra todo espírito de poder. Caem por terra a vingança e toda espécie de violência. Jesus inverte os valores dominantes na sociedade. Constitui uma nova comunidade humana, cuja nota característica é o serviço mútuo. Pedro, o líder do grupo, num primeiro momento não consegue entender. É representante dos que ainda procuram um Messias triunfalista, distante das realidades conflituosas deste mundo. O seguimento de Jesus, porém, dá-se pelo caminho da “cozinha” e do “avental”. Tudo o que simboliza o lava-pés, cuja síntese é o amor-serviço, leva à participação da mesma vida de Jesus. Pedro entenderá o verdadeiro significado após a morte do Mestre. Por causa de sua opção pelo seguimento de Jesus, será também perseguido e partilhará do mesmo destino dele.

O amor deve ser sempre o sinônimo da acolhida que, por conseguinte gera a paz. Amor, perdão que gera comum união com o Cristo, que é a terceira lição que Jesus nos dá na noite de hoje. Jesus levanta-se da mesa, coloca um pano sobre a sua cintura, pega um pouco de água, se ajoelha e começa a lavar os pés dos apóstolos, dos seus discípulos, um por um. Lavar os pés para o povo hebreu era o maior gesto de humildade e até de humilhação. Mas Jesus quis ensinar os seus sacerdotes que este deveria ser o gesto de todos os seus seguidores: estar a serviço do outro, especialmente daqueles que passam necessidades especiais. Lavar os pés, amar o irmão, perdoar, servir, fazer todos os gestos de justiça de misericórdia e de amizade. E celebrando estes gestos presidir a Eucaristia colocando em prática o que dá no testemunho.

Celebremos com fé, com a Igreja, Comunidade de amor, alimentada e expressa pela Eucaristia e animada pelos ministros ordenados, o mistério pascal de Cristo. Nesta noite ele é entregue e entrega-se aos discípulos como Corpo dado e Sangue derramado, antecipação de sua total entrega ao Pai.

 

 

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